segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Sempre fui adepta da sensação de solidão. Nem sempre por escolha, já que a famigerada ideia de estar só sempre me assustou. Todo o estigma que estar sozinho carrega de per si: a tristeza, o peso. O fato é que, com o passar dos anos, me especializei em ser ninguém e em passar invisível diante da vida de quase todo mundo.

Com o passar do tempo, notei que estar sozinha era, na verdade, muito confortável. Milímetro por milímetro, segundo por segundo, fui deixando que a solidão (agora bem vinda, acompanhada do afastamento voluntário) me fazia muito bem. Sempre fui tomada pela sensação sufocante de que as pessoas roubavam o meu tempo, de que poderia estar fazendo algo mais interessante e menos desgastante se estivesse completamente sozinha.

E agora eu estou.

É engraçado como o nosso ponto de vista pode mudar repentinamente quando nos encontramos em isolamento. Assisto a vida das pessoas, tomada de cores, passar diante dos meus olhos, enquanto a minha parece estar nos intervalos comerciais.

Dias passam comprimidos, cheios de pressa e pressão e demoram para morrer. As noites, intermináveis, passadas na cama, desejando por companhia. A tela do computador, nunca tão torturante. Meus olhos piscam, buscando focar nas letras que agora digito, minha cabeça dói, e as horas diante desse monitor se tornaram maiores e vem acompanhadas da eterna espera.

Pink Floyd tocando baixinho.
"(...) How I wish you were here."

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